O Diego de Arruda, o Dibis, já chega assim para a
entrevista: sorriso largo, cabelo meio desarrumado, despojado e estiloso, com ótimo
humor.
Já chega dizendo a que veio. Veio para criar, desenhar,
ilustrar.
Desde menino Diego descobrira seu dom para o desenho e essa certeza o acompanha até hoje, onde cria desenhos incríveis em nanquim com apenas seus 23 anos de idade.
O Dibis quando começa um desenho esboça já o seu todo. Mas
é no seu traço extremamente minucioso e detalhado que ele vai compondo a
ilustração e nos surpreende com o movimento da sua criação assim como os
elementos que se misturam, se fundem, criando uma imagem cujos olhos
precisam estar atentos para perceber todos os seus detalhes.
Então eu diria que a cada olhar para uma obra do Diego,
descobrimos coisas novas. Esse é um dos movimentos do seu trabalho, nos convocar
a prestarmos atenção e não simplesmente olharmos.
Na maioria das vezes em preto e branco, Diego conta que os
seus desenhos são frutos das imagens ou dos elementos que habitam seu inconsciente.
Neles, estão sempre presente a natureza, hora representada por árvores, por
folhas, raízes, água, o universo.
Sua última coleção foi inspirada na obra Tupi Guarani. Mas
ele transcende o senso comum, recria e nos apresenta as ilustrações que vocês
mesmos poderão ver em seguida.
Admirador da psicanálise, Diego sabe que o desenho brota
da sua alma, digo, do seu inconsciente, como a necessidade libertadora e
criadora do artista intenso que ele é, assim como a busca e trajetória pelas
suas verdades.
Detalhista, mas sem perder a estética do todo, ele desenha
cada traço harmoniosamente até nos surpreender com a trama. Como se ali
estivesse cada pedacinho seu, tecendo sua própria história, suas raízes, sua
viagem, sua personalidade e sua libertação a cada desenho terminado.
Seus desenhos deram vida a marca de camisetas do artista,
chamada Amandru. Impressionante como os desenhos criam vida no Esterno que
abriga uma folha colorida. Sucesso total, o artista enquadrou a primeira
camiseta da marca.
Aí ele nos surpreende quando mostra seu grafite. Do traço
fino em preto e branco, Diego nos leva a uma explosão de cores nas suas folhas
ou totens maiores que ele.
Então essa viagem nos leva a uma iniciativa do Dibis e seu
amigo e também artista, Gabriel Penteado, o Mojojo, no que eles chamam de Museu
Efêmero.
O Museu Efêmero nasceu na França mas esses rapazes
habilidosamente o trouxeram muitas vezes para o Balão do Centro de Convivência
De Campinas e outros lugares onde os artistas demonstram seu trabalho.
Imaginem um imenso plástico, de ponto a outro, criando uma
parede transparente. Imaginou? Pois é, depois esses rapazes presenteiam seus
transeuntes com essa arte tão democrática que é o grafite e ainda sem depredar
o espaço público.
Mas o Diego não para por aí. O artista, animado, conta que
começou recentemente um curso de tatuagem em São Paulo. Ainda no início, ele
conta como a tatuagem o apaixona e ao mesmo tempo fala da seriedade e
preocupação em intervir no corpo do outro.
Mais uma surpresa: Para quem não sabe, o Diego é meu
filho.
Embora a minha paixão pela arte antecedesse desde muito o
seu nascimento, conviver com um artista tem suas dores e suas delícias.
Podem contar com uma casa para lá de bagunçada. Mas podem
contar também com uma casa cujas paredes ultrapassam seu concreto e suas
“ranhetices” do dia a dia para abrigar o que mais amo: a Arte, o Belo, a
Criação, o Artista.
Profitez Bien essa viagem agora pela arte do Dih e pelas
paredes da nossa casa. Sejam benvindos!!!
















O Diego desenha com a Alma, nào apenas com as tintas. Conhecê-lo pessoalmente, complementa e enriquece a sua obra que é detalhada, bem humorada, onírica e que tem já personalidade própria. E pra completar, a figura TAMBÉM é canhoto! Ou seja, não dá pra ficar melhor hahahahaha!
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