sábado, 26 de março de 2016

Cinema & Outras Coisinhas









A mãe teve um jeito bem peculiar de ensinar- me á ser mulher.

Deixou - me desfrutar da rua, é verdade. Vestiu- me de shorts e cabelos curtos. 

Grassei no meio dos meninos, reinei entre as brincadeiras de esconde- esconde, rei capitão soldado ladrão tampas de dedões arrancadas, em meio ao meu futebol desajeitado.

Mas a mãe olhou pra mim no momento exato  que meu  corpo foi tomando forma de mulher.

Firmemente dizia- me que já era hora de tirar o shorts e colocar os vestidos.
Relutei, sem dúvida.

Ainda pequena, guardava um vestido para ocasiões especiais. 

Era branco em cima, com casinhas de abelha e saia  rodadinha de xadrez em azul e branco. De boneca.

 Eu jamais havia pisado num cinema, quando um namorado de minha irmã fez- me a proposta, e o que era melhor ainda:iríamos só eu e ele, já que a primogênita implicava comigo.

O rapaz era de fato bem desengonçado,  magrelo e narigudo, mas conquistou- me com o convite espontâneo.

Coloquei meu vestido, como se fosse uma noiva, horas á fio antes do combinado e me pus á esperá- lo no portão.

O sol ardia no seu amarelo mais pungente.

Avistar o desajeitado no final da rua era como um náufrago avistar a terra.

Meu cinema estava á salvo. 

Não posso lembrar- me do filme uma vez que a imensidão escura da sala de projeções foi o que mais encantou- me.
  
Quão triste foi voltar para casa, ao inquérito curioso de minha irmã.

Mas aquele era meu vestido favorito, de menina ainda, que além do cinema, servia-me para esperar o Pedrinho passar em frente de casa, toda tarde, quando chegava do trabalho.

Então tive a liberdade da rua e a escolha da sedução, desde pequena.

Sem dizer palavras, mãe presenteou-me com vestidos e embora fosse aparentemente desprovida de vaidade, ensinou- me á arte.

Seu jeito inocente era um equívoco aos olhos desatentos.




sexta-feira, 18 de março de 2016

O Apanhador de Desperdícios

Manoel de Barros foi um poeta do século XX e faleceu recentemente em 2014.
A doçura e profundidade simples de sua poesia são inigualáveis.
Esses dias, diante de tantas idiotices nos noticiários, decidi recorrer ás "manoelices".
Boa leitura. Manoelem bastante! Bjs





Uso a palavra para compor 
meus silêncios



Não gosto das palavras 
fatigadas de informar
Dou mais respeito 
ás que vivem de barriga no chão tipo 
água pedra  sapo 

Entendo bem 
o sotaque das águas

Dou respeito ás coisas desimportantes 
e aos seres desimportantes



Prezo insetos
 mais que aviões



Prezo a velocidade 
das tartarugas 
mais que a dos mísseis

Tenho em mim 
esse atraso de nascença

Eu fui aparelhado 
para gostar de passarinhos




Tenho abundância 
de ser feliz por isso

Meu quintal 
é maior do que o mundo




Sou um apanhador 
de desperdícios 




Amo os restos 
como as boas moscas



Queria que a minha voz
 tivesse um  formato de canto




Porque eu não sou da informática  
Eu sou da invencionåtica 





Só uso a palavra
 para compor meus silêncios

segunda-feira, 14 de março de 2016

Sem Ciência



Hoje meu amigo Edu Jayme cumprimentou-me logo cedo com O Dia Do POeta.
Embora eu não soubesse, fiquei muito feliz. Como vocês sabem, sempre posto para todos, mas hoje em especial, para o Edu.
Nem preciso dizer que a escolhi á dedo.







Minha Loucura 
é minha lucidez

Meu corpo,
tudo o que
não falo

Das partes
não há parte
que seja ciência

E quando elas 
se chocam,
não há sonho
que não exista


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

"Escave dentro de Si"






 Não me lembro de nenhum dia que eu não tenha convocado á mim mesma sobre os meus desejos. Penso que com vocês não é diferente. Carregamos, indubitavelmente, o peso da reflexão, a angústia dos questionamentos e vez ou outra, a paz dentro de nós quando reconhecemos o que buscamos. Costumo dizer que nossos corações se apaziguam quando reconhecem nossas verdades.

Essa semana, a amiga Daniela Galante, acho que sem perceber a profundidade do seu gesto, sacou espontaneamente um livreto de Rainer Maria Hilke, Cartas á Um jovem Poeta e na sua voz doce ao ler alguns trechos, tocou-me profundamente. 
Lógico, não poderia deixar de compartilhar. 
  
" Ninguém o pode aconselhar ou ajudar, ninguém. Não há senão um caminho.Procure entrar em si mesmo. Investigue o motivo que o manda escrever; examine se estende suas raízes pelos recantos mais profundos de sua alma; confesse á si mesmo: morreria se lhe fosse vedado escrever? 
Isto acima de tudo: pergunte a si mesmo na hora mais tranquila de sua noite: ' Sou forçado á escrever? Escave dentro de si uma resposta profunda. Se for afirmativa, se puder contestar aquela pergunta severa por um forte e simples, 'sou', então construa a sua vida de acordo com esta necessidade."

Rainer Maria Hilke acabou construindo seu livro mais famoso, Cartas á Um Jovem Poeta, entre os anos de 1902 e 1908, mostrando á um jovem aspirante á poesia, os caminhos do mundo interior do escritor.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Revolução da Alma




Olá pessoal. Acho que muitos conhecem esse texto do Aristóteles, filósofo grego. Foi escrito no ano 360 a.C . Eu não conhecia e hoje,
 minha grande amiga e professora de Yoga, Nancy Maria Gianfrascesco, teve a feliz ideia de me apresentar. Compartilho com quem não conhece e quem conhece, sabe, vale á pena relembrar. Sinceramente: parece que foi escrito hoje. De fato, as pessoas á frente de seu tempo, atravessam os séculos. Boa leitura. Bjsss





    
"Ninguém é dono da sua felicidade, 
por isso não entregues a tua alegria, 
 a tua paz, a tua vida, 
nas mãos de ninguém, absolutamente de ninguém. 


Somos livres, 
não pertencemos a ninguém 
e não podemos querer ser donos 
 dos desejos, da vontade ou dos sonhos 
de quem quer que seja.

A razão da tua vida és tu mesmo. 

A tua paz interior é a tua meta de vida. 

Quando sentires um vazio na alma, 
quando acreditares que ainda está 
 faltando algo,
 mesmo tendo tudo, 
remete o teu pensamento
 para os teus  desejos mais íntimos 
e busca a divindade que existe em ti.

 Pára de colocar a tua felicidade, 
cada dia, mais distante de ti.

A razão da tua vida és tu mesmo. 

A tua paz interior é a tua meta de vida. 

Não coloques objetivos longe demais de tuas mãos, 
abraça os que estão ao 
 teu alcance, hoje. 

Se andas desesperado por problemas 
financeiros, amorosos  ou de relacionamentos familiares,
 busca no teu interior 
a resposta para te acalmares, 
tu és o reflexo do que pensas diariamente.

 Pára de pensar mal de ti mesmo
 e sê teu melhor amigo sempre. 

Sorrir significa aprovar, aceitar, felicitar. 
Então, abre um sorriso para aprovar 
 o mundo que te quer oferecer o melhor.

Com um sorriso no rosto, 
as pessoas terão as melhores impressões de ti
 e tu estarás afirmando para ti mesmo, 
que estás “pronto“ para seres feliz.

Trabalha, trabalha muito a teu favor.

Pára de esperar a felicidade sem esforços.

Pára de exigir das pessoas, aquilo que nem tu conquistaste, ainda.

Critica menos, trabalha mais.

E não te esqueças, nunca, de agradecer.

Agradece tudo que está na tua vida neste momento, 
inclusive a dor.

A nossa compreensão do universo, 
ainda é muito pequena para julgar o que 
 quer que seja na nossa vida."