Eu encontrei por um acaso com
o Itamar na cantina da academia.
Só o conhecia treinando,
mas ainda bem que aquele momento que parecia trivial, mostrou-me de fato quem é
o Ita.
Coruja com a família, pegou
o celular para mostrar-me os sobrinhos. De repente, entre as fotos, vi passar um
rosto lindo, singelo e iluminado de uma Madona.
Lógico que não me contive.
Discretamente Ita perguntou se eu havia gostado.
-Amei! !!!
-Fui eu que fiz.
-Fui eu que fiz.
Eu olhei desconfiada,
achando que era brincadeira.
Estar diante da arte para
mim é estar diante do mundo. Mas estar diante da obra do Itamar é deparar - se com
o inesperado. Em todos os sentidos.
PHD em genética, com dois
doutorados na Universidade de ....., Londres, a surpresa não parou por ai.
Itamar mostrou-me seu universo interior.
Foi abrindo imagem por
imagem das Madonas, dos Massais, dos Monges do Tibete, dos Budas com
seus olhos maravilhosamente expressivos, perfis das Mulheres Africanas,
Peruanas, Crianças cujo olhar me atravessavam sem que eu tivesse tempo de
retrucar.
O inesperado é que ao ver uma obra pintada á óleo por exemplo, a que vinha em seguida podia ser um pastel, ou um grafite, ou um borrão de café ou chá.
Entusiasmada, fui me
entregando ao sabor da surpresa dessa viagem incrivelmente bela que Itamar me
conduzia com tanta serenidade e beleza extrema.
Eu me via diante de todas
essas obras, estivessem as pessoas pintadas com seus rostos de frente, perfis,
ou apenas de costas, com a mesma intensidade de expressão.
A arte do Itamar não começa
na tela. Ele viaja o mundo fotografando "pessoas de bem com a vida."
Estamos diante de um
artista que primeiro olha para a sua obra. No sentido literal.
Itamar viajou durante dez
anos para o Tibete. Fotografando essas pessoas, conversando com elas, visitando
suas casas, guardando as na memória, tecendo suas histórias, misturando-se com
elas e depois, generosamente nos presenteando.
Eu diria que cada pintura
sua tem de fato, uma história. Itamar é nesse caso mais que um artista. Ele é a
própria testemunha de cada traço
desenhado.
O que eu diria sobre Itamar
é o seguinte: Olhar para o Outro na sua completude, é sobretudo um ato de
solidariedade. Mas olhar para o Outro e transformá-lo em arte, isso é um ato
sublime.
Ita só cria quando está
inspirado. Decide na hora a sua melhor técnica para tecer o universo daquele
rosto, daquele grupo de Massais singelamente sentados á sombra de uma árvore
colorida. E assim vai.
Pode ser carvão, acrílico
sobre papel grafite, aquarela, borrão de chá ou café.
Ita transcendeu todos os
limites da minha compreensão quando me disse que nunca fez um curso de arte e
que ás vezes pinta com o dedo ou com um palito de fósforo. Ah! E com as duas
mãos. Seu trabalho pode durar um dia ou meses.
Ele o elabora quando está
por exemplo, na academia puxando peso. Mas não. Esta é pensando que cores
ou técnica que vai usar.
O vermelho, sempre presente na sua obra, viaja o globo, atravessa os oceanos e invade nossas almas com uma beleza sempre expressiva e singela. Ele nos mostra de fato o “de bem com a vida”
O vermelho, sempre presente na sua obra, viaja o globo, atravessa os oceanos e invade nossas almas com uma beleza sempre expressiva e singela. Ele nos mostra de fato o “de bem com a vida”
Agora, a sua novidade
é revelar suas fotos em preto e branco com fundo de ouro. Ele começou a fotografar pessoas aos 10 aos de
idade quando ganhou sua primeira máquina. E não parou mais.
Inesperadamente tímido
diante da sua criação, esse incrível viajante não soube me explicar muito sobre
seu dom. Sinceramente? Dispensa explicações.
Pois é, não dá mais para
descrever.
Deleitem - se vocês mesmo nessa viagem que a gente não quer que termine nunca. Profitez Bien.
Deleitem - se vocês mesmo nessa viagem que a gente não quer que termine nunca. Profitez Bien.














































