domingo, 28 de junho de 2015

Itamar Melo: Totalmente Inesperado



                                       




Eu encontrei por um acaso com o Itamar na cantina da academia.
Só o conhecia treinando, mas ainda bem que aquele momento que parecia trivial, mostrou-me de fato quem é o Ita.

Coruja com a família, pegou o celular para mostrar-me os sobrinhos. De repente, entre as fotos, vi passar um rosto lindo, singelo e iluminado de uma Madona. 

Lógico que não me contive. Discretamente Ita perguntou se eu havia gostado. 

-Amei! !!!
-Fui eu que fiz.

Eu olhei desconfiada, achando que era brincadeira. 

Estar diante da arte para mim é estar diante do mundo. Mas estar diante da obra do Itamar é deparar - se com o inesperado. Em todos os sentidos.
PHD em genética, com dois doutorados na Universidade de ....., Londres, a surpresa não parou por ai.
 Itamar mostrou-me seu universo interior. 

Foi abrindo imagem por imagem das Madonas, dos Massais, dos Monges do Tibete, dos Budas com seus olhos maravilhosamente expressivos, perfis das Mulheres Africanas,  Peruanas,  Crianças cujo olhar me atravessavam sem que eu tivesse tempo de retrucar. 

O inesperado é que ao ver uma obra pintada á óleo por exemplo, a que vinha em seguida podia ser um pastel, ou um grafite, ou um borrão de café ou chá.

Entusiasmada, fui me entregando ao sabor da surpresa dessa viagem incrivelmente bela que Itamar me conduzia com tanta serenidade e beleza extrema.

Eu me via diante de todas essas obras, estivessem as pessoas pintadas com seus rostos de frente, perfis, ou apenas de costas, com a mesma intensidade de expressão.

A arte do Itamar não começa na tela. Ele viaja o mundo fotografando "pessoas de bem com a vida."

Estamos diante de um artista que primeiro olha para a sua obra. No sentido literal.

Itamar viajou durante dez anos para o Tibete. Fotografando essas pessoas, conversando com elas, visitando suas casas, guardando as na memória, tecendo suas histórias, misturando-se com elas e depois, generosamente nos presenteando.

Eu diria que cada pintura sua tem de fato, uma história. Itamar é nesse caso mais que um artista. Ele é a própria testemunha de cada  traço desenhado.

O que eu diria sobre Itamar é o seguinte: Olhar para o Outro na sua completude, é sobretudo um ato de solidariedade. Mas olhar para o Outro e transformá-lo em arte, isso é um ato sublime.

Ita só cria quando está inspirado. Decide na hora a sua melhor técnica para tecer o universo daquele rosto, daquele grupo de Massais singelamente sentados á sombra de uma árvore colorida. E assim vai.

Pode ser carvão, acrílico sobre papel grafite, aquarela, borrão de chá ou café. 

Ita transcendeu todos os limites da minha compreensão quando me disse que nunca fez um curso de arte e que ás vezes pinta com o dedo ou com um palito de fósforo. Ah! E com as duas mãos. Seu trabalho pode durar um dia ou meses.

Ele o elabora quando está por exemplo, na academia puxando peso. Mas não.  Esta é pensando que cores ou técnica que vai usar. 

O vermelho, sempre presente na sua obra, viaja o globo, atravessa os oceanos e invade nossas almas com uma beleza sempre expressiva e singela. Ele nos mostra de fato o “de bem com a vida”


Agora, a sua novidade é revelar suas fotos em preto e branco com fundo de ouro. Ele começou a fotografar pessoas aos 10 aos de idade quando ganhou sua primeira máquina. E não parou mais.

Inesperadamente tímido diante da sua criação, esse incrível viajante não soube me explicar muito sobre seu dom. Sinceramente? Dispensa explicações.


Pois é, não dá mais para descrever.
Deleitem - se vocês mesmo nessa viagem que a gente não quer que termine nunca. Profitez Bien.


























quarta-feira, 24 de junho de 2015

Sobre Mulheres & Flores








Teve um dia engraçado,
mãe chamou-me com ares de moleque
que gosta do mal feito.

Nós compartilhávamos
nossas mulheridades

Então, 
mãe curiosa
logo após a viuvez
de minha irmã,
perguntou-me:

Filha,
sua irmã não vai desabrochar?

Achava bonito a mãe
ver a gente não como flor,
mas como mulher.

Mas nem eu
nem mãe
tínhamos muito entendimento
de flores.

A pergunta habitou então
o meu jardim
das coisas meio desconhecidas
por um bom tempo.

Hoje eu queria
mãe pertinho
para poder lhe dizer que,
cada flor desabrocha do seu jeito
e ao seu tempo,
mesmo quando a gente
não percebe.





domingo, 21 de junho de 2015

Arroz & Feijão







Minha mãe
costurava
uma casa alegre
todos os dias

Sacudida
ela cozinhava no fogão
que ficava á beira
da porta do quintal

O Menino,
sacudido igual
olhava e esperava
seus bocados
de agrado

Ela cantava e
Assobiava

Acompanhada
pelo Menino
dançava da geladeira á pia
no seu passo sempre firme

Sua voz estridente
temperava
o arroz
o feijão
o gato


Ah! O gosto da comida
nem lembro...
mas o cheiro
era sempre de amor.








terça-feira, 16 de junho de 2015

Israel Maia, um homem além dos Sonhos



Há muito que sou apaixonada por Grafite. Uma bela arte sempre me chama a atenção.

Faz mais ou menos uns quatro anos, vi uma dessas obras num muro. Um sonho. Uma delicadeza. Que sorria, voava, brilhava, parecia cantar. Eu a fotografei e coloquei durante muito tempo como fundo de tela do meu celular. Lógico, pensava quem seria o dono daquela arte.

Recentemente tive o prazer de conhecer seu criador, o ilustrador Israel Maia. Simpático, jovem, sem aquela agitação de todo artista, Israel sorriu para mim quando lhe contei essa história e apenas me disse: esse sou eu.




A menina do muro, como eu chamava, é a Lucy. A Lucy dos Beatles. Que Israel tanto ama. Lucy in the Sky. Não. Desculpem, é a Lucy do Israel, minha e sua. Essa é a extensão mágica da arte. Percorrer seus admiradores.
Vejam vocês mesmos:
   





Aos cinco anos de idade, o grafite já chamava a atenção de Israel. Ele conta que passeava sempre de ônibus com a mãe e que num muro do colégio Orozimbo Maia, ficava admirando um grande polvo laranja com seus tentáculos enrolados. Só imaginava quem teria feito aquilo.

Hoje Israel ilustra em lápis de cor e grafite. Seu estilo, inconfundível, penetra nossas memórias como os tentáculos daquele polvo.

Para o artista, seu desenho traz as suas lembranças de criança. Pois a criança vive sonhando. Seu mundo é colorido, onírico, alegre e triste, atemporal, tudo ao mesmo tempo. Para ele, falta o sonho na vida adulta, então ele o recria com suas ilustrações.

Foi após sua viagem para a Europa, início do ano passado, sonho finalmente realizado, que Israel começou seu projeto: Onde nascem os sonhos.

Parte desse projeto foi doado pelo artista para a Casa Ronald. Projeto que ajuda crianças com necessidades especiais.
Mas generosamente Israel emprestou-nos algumas de suas imagens, ou melhor, sonhos, para que possamos contemplar.



























“Quando eu estou pintando, eu não sou homem, não sou mulher. Sou eu mesmo”.

No Instagram, Israel está como tintanaveia

Você pode acompanhar passo á passo do seu trabalho.


Profitez bien essa viagem.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

WatsApp aos Filhos




Hoje gostaria de compartilhar com vocês um daqueles momentos que quando me encontro diante do Belo e não tendo mais por onde transbordar, divido com os filhos.

                                                     

Queridos Filhos,

Tenho passado dias intensos, belos,
cansativos, reflexivos.
Sei que terão a oportunidade de verem e
visitarem outros locais.

O mundo pode estar globalizado mas
suas histórias de origem, não.

Cada uma reserva sua própria singularidade e
Beleza, assim como cada um de nós,
enquanto sujeitos.

Acho bonito pensarmos que o mundo é vasto.
Em todos os sentidos.

Mas gosto, ainda mais, de pensar quão vasto pode ser
nosso conhecimento e por consequência,
nossa capacidade para todas as coisas: fazer,
amar, trabalhar, estudar, tolerar, sentir, escutar,
refletir, criar.

É preciso transcender nossa pobre existência real.

O real é salutar, mas a existência há de ser rica.

Pensem, cada um, como poderão sair desse senso comum, mediano.
Mas façam com tranquilidade e maturidade. Respeitem, singularmente, o tempo de vocês. Pois cada pessoa tem seu
próprio tempo.

Pensem no caminho espiritual, não no sentido religioso, mas
no sentido da capacidade humana, o quanto pode ser Bela.
não falo da beleza vulgar.

Falo daquela Beleza cujos olhos e mentes destravadas podem enxergar.
Não sou uma mãe muito culta, mas meu sexto sentido diz
“que há mais coisas entre o céu e a terra...”
Abram os olhos para o mundo, meus filhos
e a vida os abraçará.

Com todo meu amor e desejo

Charlene :-)


sábado, 6 de junho de 2015

Benjamim Lacombe





Aclamado apenas com 33 anos, Benjamim Lacombe, ilustrador francês, nascido em Paris, atrai mundialmente admiradores através da sua ilustração sempre bela, elegante, caricatural e melancólica.

Transita entre o público jovem e adulto com o mesmo talento singular nos dois universos.

Confira algumas de suas ilustrações e não deixe de assistir o vídeo exuberante que disponibilizei no blog.

Prifitez bien essa viagem fantástica no mundo de Lacombe.

























Assista o vídeo


terça-feira, 2 de junho de 2015

Cartas Pra Mãezinha








Muitas vezes o sentido das coisas na nossa vida aparece á posteriori. Eu diria que quase sempre.

Eu tive o privilégio de poder, literalmente, acolher minha mãe nos braços, na passagem da sua vida para a morte.

Na minha cabeça, o que fazia sentido era pensar que começamos juntas a nossa história, na ocasião do meu nascimento e que na hora da sua morte, estaríamos juntas novamente. E assim foi.

Três dias depois, retomei minha escrita na tentativa de aliviar a dor. Assim foi novamente.

Sem perceber eu havia voltado á escrever. Havia voltado á me entregar aqueles momentos cujo mundo parece girar enquanto as palavras tomam conta de mim.

Eu administrava uma empresa naquela época, trabalhava com muitos documentos e como ainda não sabia organizar muito bem meus escritos no computador, no mundo virtual, precisei criar uma pasta e nomeá-la: Cartas Pra Mãezinha.

O Cartas Pra Mãezinha tem hoje mais de 100 páginas que, se começaram num momento de dor e luto, hoje caminha pela minha memória seja em formato de poesia, crônica, ou simplesmente metáforas que vou anotando.

Decidi compartilhar com você, meu leitor, essa trajetória.

Foi difícil escolher por onde começar. Mas as palavras tem também o dom da plasticidade, tornam-se atemporais, então poderei expô-las ou revisitá-las apenas com o meu compromisso maior: expressar e dividir as coisas que sinto.



  BONECA DE PANO

 Agora conheço
a saudade
que não tem jeito

Aquela
que corta o corpo
e zomba de nós

Hoje acordei
do sonho
de um abraço

Incansavelmente
o procurei
pela longidão do dia

O procurei
pelas ruas
que não tiveram fim,
pelos sons intermináveis

Os semáforos
passaram por mim
assim como o asfalto
e as pessoas
que nem percebi

Te esperei
como no dia
em que você apontou
no final da rua,
promessa cumprida,
trazia
minha boneca Emília

A ansiedade
me cortava,
não tinha a certeza
da boneca

Hoje
a ansiedade
me corta,
tenho a certeza
de que não
retornará

As palavras,
minha mãe,
são o remédio
da alma

Me costuram
feito
aquela bonequinha.   


Para sempre, Char 15/03/2012